Terapia com I.A.?
- Amanda Lantyer
- 10 de mar.
- 2 min de leitura
Texto escrito em 10/03/2026
A palavra "terapia" tem raízes gregas e deriva de Therapeia, que significa prestar cuidados médicos ou tratar. A palavra surge em um contexto onde se buscava explicar o processo de tratamento para curar doenças.
Já o termo "psicoterapia" deriva da união de Psique, que significa "espírito, alma" e a junção de ambas, caracteriza o método de tratamento para problemas de natureza emocional. A literatura científica sobre o termo sustenta que "a psicoterapia é um campo de conhecimentos teóricos e técnicos, e uma prática de intervenção sustentada por esses conhecimentos, que se desenvolve em um relacionamento interpessoal". [grifo meu] (Conselho Federal de Psicologia, 2022).
Mas vamos mergulhar ainda mais? Para a psicanálise, o termo terapia não é muito usado pois está associado à "cura". A psicanálise tende a utilizar o termo "análise" para seu processo de escuta e intervenção e diferencia-se de outras linhas por ter um foco no inconsciente. Muitos analistas usam o termo "terapia", como eu aqui no caso, para facilitar a compreensão e o acesso à informação ao público já que é o termo mais popularmente conhecido.
Então a psicanálise não cura? Bom, a psicanálise é mais cricri com os termos que usa e entende que curar traumas ou lidar com questões emocionais não envolve voltar à um estado anterior como propõe a palavra "terapia" mas seguir rumo à outro lugar. Seria como se pra psicanálise, a cura fosse a cura do queijo. Entende? Envolve uma transformação.
Contudo, para fins deste post, seja para a psicoterapia ou para a análise, ambas precedem a existência de um ser humano do outro lado. Um outro que escuta, que se implica, que sustenta uma presença.
Não se trata apenas de responder perguntas ou organizar pensamentos. Trata-se de um encontro entre dois sujeitos, atravessado por história, linguagem, silêncios, afetos e inconsciente.
Na clínica, não é só o que se diz que importa, mas para quem se diz, como se diz, e o que acontece entre duas pessoas enquanto algo é dito.
A inteligência artificial pode oferecer informações, reflexões e até boas perguntas. Mas a experiência clínica envolve algo que não se programa: a presença de um outro humano capaz de escutar, sustentar o vínculo e participar da construção desse processo. REFERÊNCIAS:
Conselho Federal de Psicologia. 2022. Reflexões e orientações sobre a prática da Psicoterapia.


